quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Por nada feito me arrependo!

É perfeitamente normal nos sentirmos arrependidos ou envergonhados por algo que fazemos, que dizemos ou por alguma decisão que tomamos e que, por alguma razão, se tornou errada. Mais normal será nos martirizarmos e nos auto-condenarmos por um erro que cometemos. Mas e quando não o cometemos? O que fazemos quando não sabemos o que poderia ter acontecido? Arrependemo-nos de um erro que não cometemos e que poderia ter corrido bem, e, martirizamo-nos por não termos tentado. Consumimo-nos de tal modo que a curiosidade se apodera de nós: "E se eu tivesse tentado? O que teria acontecido? Teria resultado? Ou não teria?". Arrependemo-nos então por não termos sequer tentados. Jogamos pelo seguro e não arriscamos.
A verdade é que tomamos uma opção e por esse motivo perdemos algo...pois perdemos sempre algo a partir do momento que escolhemos 'este' o invés 'daquele'. Não podemos ter tudo, não é verdade? E se aquilo que poderíamos ter fosse melhor do que o que decidimos ter? É verdade, muitos 'ses'.
A vida é feita de 'ses' e não há volta a dar. Às vezes, até não nos arrependemos de termos decidido ter o que temos, porém, arrependemo-nos de não termos tentado ter o que poderíamos ter.
Se da Igreja fosse fã, diria: "Por nada feito me arrependo".

segunda-feira, 30 de abril de 2012

De costas viradas para o mundo.

Andamos sobre um mundo onde tudo o que interessa é o que se vê à sua frente. Julga-mo-nos pelas aparências e criamos uma imagem de cada pessoa que vemos, tão real que até as próprias pessoas acabam por viver nelas. Muitas vezes inconscientemente, vitimas de fracos olhares, difamações e boatos, acabam por encarnar na personagem que a sociedade resolveu criar. Colocam a sua vida nas mãos de outrem e deixam que este dite a sua história. Não precisam de muito, pequenas e curtas palavras bastam. "Anormal", "Gordo", "Burro", "Nerd", "Menino da mamã", "Fraco", palavras simples que habitam em qualquer dicionário e que estão ao alcance de todos. Não precisam de ser mal usadas, basta serem mal colocadas.
Causadoras de tristeza e angústia, não são as palavras as culpadas da dor que os invade, mas sim quem as pronuncia, pois ignorância é o que mostram quando se riem face a tremenda crueldade. Uma hipérbole talvez, mas para aqueles em que estas palavras têm consequências e acabam por influenciar negativamente a sua vida futura, é uma pequena palavra, que pouco chega para descrever o que durante longos anos passaram.
Dizem que para a frente é o caminho, mas a verdade é que "À beira de um precipício, a única maneira de avançar é dar um passo para trás". 
Muitas das vezes o nosso avanço é um passo para trás, porém nós não nos apercebemos. Estamos tão habituados a "olhar para a frente" que não observamos o que realmente nos rodeia. Talvez esse seja o nosso grande erro. Vivemos de costas viradas para o mundo.
Se de uma vez por todas deixássemos de olhar para o nosso umbigo e tentássemos compreender o que realmente nos rodeia, talvez o mundo não fosse tão como é, injusto, cruel, triste, monótono, frio, vazio, hipócrita, falso. Talvez se olhássemos para o estranho que nos sorri, para o mendigo que nos pede ajuda, talvez aí pudéssemos compreender algo sobre o mundo, algo realmente importante.
"Para quê fazer isso se ninguém o faz?" Todos perguntam o mesmo. Apenas digo que basta um rastilho e uma faísca para fazer uma bomba explodir. 
As coisas não se conquistam de uma vez, são graduais, difíceis e distantes. É necessário muito trabalho, esforço, dedicação, paixão, sacrifício, vontade e acima de tudo, espírito! 
Claro que para o Ser Humano isto é trabalho de mais. "Para quê levantar o rabo do sofá se há gente a fazê-lo por mim?" E sim, é este o nojo da nossa sociedade. 
Contra mim falo, porque muitas das vezes envergonho-me por pensar sequer na hipóteses de me manter incógnita, na comodidade, à espera que alguém lute por direitos que são meus.

Mas chegará o dia em que todos sofreremos de igual modo, aí vamos aprender a dar valor ao que temos e aperceber-mo-nos-emos que o melhor que temos é termo-nos uns aos outros. Aí a raça humana respeitar-se-à mutuamente e de igual modo.
É pena ser necessário chegar sempre a extremos para concluirmos o mais óbvio. Algo que sempre esteve à nossa frente mas que apenas estava tapado por tanto egoísmo e hipocrisia.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A minha casinha.

Queria ter uma casinha, uma casinha que fosse só minha. Com a minhas coisas, comigo e com quem eu mais queria, mas...só minha. Sem ninguém a chatear-me, apenas eu a escrever a minha história, a traçar o meu caminho. Com vista para o mar e com um sitio no telhado, onde pudesse ver o luar.
Depois, nela iriam entrar apenas as estrelas do meu céu, que estariam sempre lá, mesmo quando não estivessem. Com uma grafonola que me desse musica e que pusesse a lua a dançar ^^ era perfeito!
Sempre que quisesse, teria o meu cantinho, e nenhum estranho ou conhecido poderia interromper os meus momentos de paz. Ia estar no meu mundo. Um mundo pequeno para quem o vê, mas enorme para quem nele entra. 
Ia fazer imensas festas. Em honra de quem nunca ninguém conhece e que só eu conheci. Iria juntar alegria, amor, paz e fantasia, tudo numa só tigela, de depois serviria bolinhos entre todos. Seria feliz, a viver no meu mundo não cor-de-rosa, mas bastante longe do cinzento. 
As paredes ia estar preenchidas com sonhos e os candeeiros, seriam olhares a cuidar de mim. 
O ressonar do meu fiel amigo no fundo da cama, uma banda sonora espectacular enquanto se sente o calor de outra alma. Ahahaha, deixaremos a ironia de parte.
O abraço de cada noite e o beijo de todas as manhãs fariam de mim alguém feliz, o suficiente para o deixar viver no meu mundo não cor-de-rosa. 
Um 'bom dia' estridente a entrar pela casa e agora juntas, era o tempo de aproveitar..fossem 2 dias ou 2 anos, era sempre ao máximo.
À noite, procurava a calma no olhar da lua e no sorriso das estrelas, a grafonola tocava. Esta sim, é a banda sonora perfeita para o meu pensamento (:

quinta-feira, 15 de março de 2012

A clepsidra.

O tic-tac do relógio corria atrás do meu batimento cardíaco, uma dança descoordenada de sons e uma articulação aritmética e equitativa de batuques. Em movimentos pendulares o balanço do pêndulo fazia-se sentir na sala. Os ponteiros não paravam e quanto mais os ouvia, mais o meu coração acelerava. O bater da perna irrequieta da figura que se fixava na cadeira à minha frente era desesperante, uma aflição tanta, que o seu roer de unhas era um simples determinante. 
Tic-tac, tic-tac e continuava a acelerar, numa corrida de velocidade entre o tempo e a ansiedade. A mulher na secretária e o virar das folhas, cada contacto era perceptível: o molhar do dedo e o virar da página, o som do carvão e da tinta. Cai a borracha...a cadeira range no chão de madeira e o telefone começa a tocar. "Sim, boa tarde, consultório...", nem tempo havia para terminar, D. Ana, D. Rosa, nome de Madame talvez, em conversas de velhas, ligava apenas para fazer o tempo passar. Tempo...tão pouco tempo que parece tanto em momentos de aflição.
E o roer de unhas continuava. A porta que agora se abria era acompanhada com o som dos saltos de uma mulher, sons calmos completos de elegância, um aroma a verbana que pairava no ar, não o melhor cheiro definitivamente, mas agradável sem exagero. Devagar percorro aquela figura feminina dos pés à cabeça, num movimento calmo deixo de visualizar o chão e passo a observar aquela senhora. Saltos pretos, meias de vidro num tom neutro, numa estação primaveril a saia demonstrava-se demasiado quente, cinzenta e felpuda, a camisa, talvez de seda num cor-de-rosa morto, um casaco de cor preta, apoiado no braço, a condizer com os sapatos, braço este coberto de pulseiras de prata e pérolas, o pescoço presenciado por um conjunto de pérolas e na mão esquerda, uma pequena mala bege. O cabelo cor de fogo apagado, estava apanhado num coque, ornamentado com flores com um chapéu grande e elegante. Uma maquilhagem simples, olhos como duas safiras, brilhantes mas sem expressão, lábios vermelhos mas sem qualquer sorriso. Uma figura altiva, classe alta talvez? Como são as aparências enganadoras, moribunda e aterrada por dentro, esconde-se por de trás dessa fina aparência. Dirige-se ao balcão, um sussurro esconde a verdadeira questão, como que vergonha existisse naquela aparição. 
O ambiente é pesado e o ar da própria sala exerce força sobre nós, nem uma aragem, só o cheiro a tabáco, a verbana, a álcool, a medicamentos e a algo mais, um aroma de difícil percepção...mar, o cheiro a mar escondia-se no meio de cheiros demasiado intensos, uma fragrância pura demais para estar naquele espaço...de onde viria este cheiro? Percorri a sala com o olhar, flores campestres quase secas, armários de remédios, mas nada que indicasse a presença de elementos marítimos...a não ser...na pequena cómoda perto da janela, uma estrela do mar, de cores lindas e intensas, talvez as poucas daquela sala e, a seu lado, um clepsidra. Simples mas bela, deixou o meu olhar preso, hipnotizado com o dança da areia que nela existia. Os pequenos grãos que batiam no vidro eram como sons de libertação. No meio daquele mundo degradante, aquela era a porta de saída, um pequeno objecto que a muitos, antigo e inútil, passava despercebido, a mim fazia-me ficar agarrada a ele mais do que outra coisa. Perdida no encanto daquela ampulheta, acordei quando a secretária chamou o meu nome: "É a sua vez". Por minutos a ansiedade tinha diminuído, agora o meu coração parecia que saltava do meu peito. O homem sentado na cadeira olhou para mim com um ar de solidariedade, como se eu fosse para o campo de batalha e este me desejasse boa sorte.... Posso jurar por tudo, odeio ir ao dentista!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Living for the first time.

In the beginning you don't have nothing, you are alone, no friends, no soul, no pain, no love, nothing besides your body and your mind.
In the sky you see blue and white, in the nature you see green and you are wild, but when you see the men's society, is just black and grey. No colours, no feelings, no passion, no fun, just walking around without talking with anyone, just doing what people want you to do. So many fears, so many judgements, so many voices that say "NO" to you, so many faces that don't see you, so many gestures that don't exist. And now I ask: "But what do you want?" I don't know what I want but I'm looking for it...there is just a little problem, I'm looking for something that doesn't exist in this world. I don't know what it is, but I know it isn't here.
Look out the window, do you see anything? Yes? But is it something that you want? That you love? Is it your dream? No, because since you were born someone tels you that dreams are not the real life, and they are right, but dreaming is the only thing that keeps us alive. But then, if you look at the society, in dreams and love, we are losers!
So let's change that, let's dream, let's walk without a way, let's smile every day, let's sing out loud, let's run, let's do anything, let's listen the birds'singing, let's be someone...but not the society's someone, let's be the someone of somebody, because we are unique and we are always the one of someone.
Don't leave for the others, leave for you, for your dreams, for your wishses, for your world, for your sky, for your own star! Feel the win in your hair, smell te flowers, feel the breath of someone, listento his heart beat. Feel his hands in your body, every little touch is a feeling, every little kiss, every little smile, every eye contact, everything is a bless. It's easy to find someone to say 'I love you', but it's rare to find someone where this word is not empty...love...
So, in the end, everything matters, because your with someone who loves you and who is your happiness, even if it is only for a month or two.
I'm bless and I´m happy, I don't know if it's going to work or if it's going to end and I don't care. I'm living like it was the first time. In my head I'm free, in my mind I'm not alone, in my heart I'm loved, and that love is true.
Without trying to be rude, fuck them all, I'm going to be happy for me and you!

sexta-feira, 2 de março de 2012

"Se tu desistires, eles desistem também"




O mundo não foi criado só para nós, não temos o direito de o tornar nosso e de o destruir como estamos a fazer.
Uma acção faz a diferença e são com grãos de areia que se cria uma praia. Podemos ser grãos de areia, mas se nos juntar-mos, criamos uma praia!

A luta contra o aquecimento global é constante e mais difícil se torna quando os principais causadores deste grave problema somos nós.

Vamos lutar contra este crime, porque juntos somos um, um ser grande e forte, capaz de derrubar o que quer que seja e de ser ouvido.

"Se tu desistires, eles desistem também", porque não poupar tanto sofrimento?